Rei das composições, escrevia obras sozinho e com grandes parceiros. Tinha um dos melhores shows da atualidade entre os medalhões da música e deixa uma discografia invejável

O meio sertanejo perdeu um dos artistas mais completos da sua história. Rick não era apenas dono de uma voz impecável: era um compositor de primeira linha, um artista de alto escalão e tinha um dos melhores shows entre os grandes medalhões do gênero. E isso precisa ser dito porque, na atualidade, infelizmente, existem shows em que o artista não sabe cantar, erra letra, canta música dos outros, canta com preguiça ou simplesmente parece não estar nem aí para estar no palco. Rick era o extremo oposto disso. Era fenomenal. Tinha energia, presença, domínio de palco e ainda fazia questão de colocar suas próprias composições em destaque. O bloco de músicas autorais de Rick era uma aula. Não tinha música mais ou menos. Era classe A.
E existe uma lacuna que a morte de Rick deixa no sertanejo que não vai ser preenchida. Assim como aconteceu com Marília Mendonça, perdemos um artista que reunia coisas que estão cada vez mais raras: caneta, voz e presença de palco. Rick tinha tudo isso. E o sertanejo vai ficando cada vez mais pobre quando perde artistas completos e vê o espaço ser ocupado por peão todo tatuado, por artista velho cantando com preguiça ou até subindo ao palco bêbado. É triste dizer isso, mas é a realidade de um gênero que, em muitos momentos, parece estar descendo uma ladeira sem perceber o tamanho do patrimônio que está deixando para trás.
E se existe uma obra que resume o tamanho do legado de Rick, é o Acústico Rick & Renner 10 Anos, gravado em 2003, no estúdio Gravodisc. Aquilo é irretocável. Para mim, é um dos maiores, se não o maior, acústico da história do sertanejo. Um repertório absurdo, interpretações impecáveis e músicas que atravessaram gerações. Aliás, todo repertório da dupla é essencial para entender realmente o que é sertanejo de verdade. Rick também deixa uma história gigantesca de parcerias e composições: sua parceria com João Paulo, as canções com Alexandre, Elias Muniz, Fátima Leão e Waldir Luz, entre tantos outros. São obras que já pertencem para sempre à história da música sertaneja. Sem contar no seu irretocável trabalho como produtor musical de Gino & Geno.
Fica aqui todo o meu sentimento à família, aos amigos, à equipe Rick & Renner e, principalmente, ao Renner, que perde não apenas um parceiro de palco, mas um irmão de uma vida inteira. Rick foi genial. E talvez seja justamente por isso que a despedida doa tanto. O sertanejo não perdeu apenas um cantor ou um compositor. Perdeu um artista brilhante, genial, daqueles que conseguem ser gigantes na caneta, na voz e no palco. E artistas assim não aparecem duas vezes. O legado fica. Mas a lacuna, infelizmente, também fica e não vai ser preenchida.




